Casa de parto

April 28, 2018

Talvez eu nunca tenha parado aqui e falado explicitamente sobre casas de parto.

E esse é o momento perfeito para isso.

Para falar de casas de parto eu tenho que falar mais uma vez sobre a condição do parto no Brasil.

Pegue o seu café sem açúcar para combinar com o amargor do post.

 

Gostaria de lembrar a todas sobre a gigante diferença no atendimento do SUS, do convênio e do particular. A cena do parto no Brasil escancara a nossa enorme diferença social, nossa diferença em relação as leis (sim gente, eu sei que na teoria todos somos iguais perante a lei. Mas se você não está sabendo, vou te contar que, na prática não é assim. O sangue que escorre nas ruas não são dos burgueses e nem dos homens), nossa diferença em relação a direitos sexuais, reprodutivos e na saúde em geral. Por mais que tenha muita gente negando essa realidade ela é verdadeira e sempre vai estar presente. Não adianta fugir.

Existe um abismo em relação a sua condição social e também educacional quando falamos de direitos no parto.

Gostaria de citar algumas discriminações que envolvem classe social, idade, identidade étnica e cor da pele.

- Quanto menor a escolaridade da mulher e mais escura a cor da sua pele, menor atenção e analgesia são dedicadas no momento do parto.

- Estudos com mulheres usuárias dos setores público e privado de saúde afirmavam que a maioria delas não se sente preparada para o parto.

 

 

(pausa. respira)

 

 

O que está sendo feito para melhorar essa realidade, o que se foi conquistado é uma luta e vitória.

Ainda é preciso caminhar, militar, amar, revolução.

Aqui em São Paulo tem algumas casas de parto e hospitais com alas humanizadas via SUS, algumas mascaradas com esse "titulo" e outras causando pequenas e impactantes mudanças no papel social de cada família, ajudando a desconstruir e construir uma realidade no parto.

Mas o que afinal são as casas de parto?

Eu vou estar dispensando respostas prontas e romantizadas como "...locais de atendimento ao parto humanizado..." porque nem sempre essa é a realidade.

E também esse conceito de parto humanizado, o que é humanizar o parto é fonte de muitos debates que adoraria fazer em outro post.

Eu quero falar da resistência envolvida nessas casas de parto, resistência de profissionais e espaços que realmente são respeitosos. É difícil (re)existir nesse cenário tão violento.Falo isso porque eu também sofro (em muito menos escala) com esse cenário, atuar como Doula em muitos locais "humanizados" do SUS ainda é muito difícil, esse espaço ainda nós é tomado, é tomado daquelas que estão para parir. É tomado de toda uma família.

 

 

Primeiro ponto, essas casas de parto são espaços de resistência no direito das mulheres no parto.

Logo são também espaços políticos.

Já parou para pensar o por que temos poucas e localizadas casa de parto via sus, via particular temos algumas em bairros nobres e  no convênio isso não existe? Em muitos casos nem reembolso do convênio existe (mas gente!).

Já parou para pensar o por que cada vez mais tem hospital fechando maternidade e outros se apropriando do conceito de humanizado?

Já parou para pensar o por que casa de parto não é interessante para o convênio?

Casa de parto é diferente de hospital com ala humanizada, hosp

ital é hospital. E nesses que tem ala humanizada no SUS quantos realmente são? Quantos corpos são diariamente e por rotina violentados nessas alas humanizadas? Tenho horror em lembrar o que eu já vi e já vivenciei com doulanda nesses ditos hospitais humanizados via SUS. Muitos são conhecidos como açougue entre mulheres. Hospital humanizado é diferente de casa de parto, principalmente via SUS.

 

Segundo ponto, essas casas de parto infelizmente não existem em todo o Brasil, o que aprofunda o debate na questão econômica e social.

Meu coração aperta cada vez que eu recebo um e mail de alguma mulher expressando o desejo de uma casa de parto em seu estado, sua cidade, seu bairro.

 

Terceiro ponto, quem está envolvido politicamente na luta por esses espaços, por casas de parto que realmente honram o nome? A quem interessa e a quem não interessa politicamente essas casas de parto? Quem coordena projetos e movimentos sociais nesse sentido?

Isso para te lembrar o quanto é importante você votar com consciência, sim, vou falar disso também.

Representatividade é essencial para o crescimento, fortalecimento desses espaços.

 

Quarto ponto, quem são os profissionais que ali atuam? Quanto eles são valorizados? Quantos querem estar ali?

 

Pronto.

Acho que é isso a principio!

Falei.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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