Só para mulheres?

March 18, 2018

 

 Definitivamente essa é a pergunta que eu mais recebo quando falo sobre o meu trabalho.

E a postagem de hoje é exatamente sobre essa pergunta.

 

É importante dizer que de ambos os gêneros me fazem esse questionamento, mas a curiosidade para entender o proposito do meu trabalho é totalmente diferente. 

As mulheres me perguntam com um sorriso no rosto de quem há muito não tem um tempo exclusivamente com mulheres; os homens me questionam sobre meu suposto preconceito e exclusão com eles, eu nunca disse nada a esse respeito, mas quando uma mulher diz a uma sociedade toda que os moldes do seu trabalho não vai corresponder ao sistema patriarcal, definitivamente, para o sistema essa mulher tem no minimo um problema, no máximo não passa de mais uma feminista louca.

É sobre esse esteriótipos que eu também quero falar.

 

Não que eu precise justificar meu trabalho, mas acho importante explica-lo e contextualiza-lo, já que o número de pessoas que acompanham meu trabalho via Concentração Invertida aumenta cada dia.

Meu caminho no Yoga começou cedo, eu tinha 15 anos quando pisei pela primeira vez em um tapete de prática.

Com 21 anos eu já dava aulas, tinha turma mista, turma de yoga mulher e turma yoga gestante. 

A minha vida mudou quando entrei em uma sala de Yoga Gestante, um universo inteiro se revelou para mim.

As turmas só com mulheres passaram a ter muito mais sentido de ser para mim do que uma turma mista.

 

Aos poucos eu fui observando, compreendendo o quanto era importante para nós, enquanto mulheres, ter um espaço como aquele. Um espaço que cada mulher tivesse a oportunidade de olhar para si, como pessoa individual,  mas também para outras mulheres compartilhando experiências de ser mulher, do papel social e político da mulher, violência de gênero,

a educação e várias outras questões que rondam a mulher. 

A sala de prática era preenchida por corpos femininos, a prática pessoal era uma jornada em um mergulho interno de cada aluna, a despedida era sempre demorada e com conversas. 

Em  um ano dando aulas eu decidi que fecharia minhas turmas somente para mulheres, aquele ambiente social, politico e terapêutico me interessava demais, eu sempre acreditei nisso, em fazer desse ambiente possível e do Yoga uma ferramenta de libertação individual. 
Nesse ambiente eu encontrei um campo fértil de estudos na psicologia, no Yoga, no feminismo.


Olha, não foi fácil, na verdade ainda não é.

Como bem disse Emicida, no fim do mês, quem morre é nossa grana ou nossa esperança?


No fundo eu sabia que não iria ser fácil, eu estava fazendo algo muito novo, afirmando para toda uma sociedade que espaços de cuidados para mulheres era mais que necessário, era e ainda é urgente. É mais difícil quando no seu pais, a mulher ganha 30% menos que um homem e você escolhe trabalhar somente para mulheres.

É cansativo ter que responder a perguntas do tipo "Mas... só para mulheres?" quando me parece obvio que espaços assim são necessários em um pais que mata em média 12 mulheres por dia e estupra mais de 130 mulheres todos os dias. 

É cada observação minha intima quando um homem me acusa de segregação, pois essa ideia corresponde a uma imagem de feministas totalmente moldados pela sociedade, que trás sempre um aspecto ruim por trás, você sabe do que eu estou falando. 
É ofensivo quebrar o esteriótipo de professora de Yoga, que naturalmente é relacionado á extrema passividade, com questionamentos ácidos a respeito de Yoga voltado á mulheres e ao papel da mulher. Mais ofensivo está sendo ainda, quando eu passei a falar que era para todas as mulheres, eu disse todas. 

 

Então diante disso, sim querido, sim! 

SÓ PARA MULHERES.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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