Violência no ambiente domestico. Será que estamos realmente seguras em casa?

August 20, 2017

Essa postagem já começa com uma grande polêmica no título, será que realmente estamos seguras em casa? Digo isso porque me assustei com o número que descobri estudando para essa pauta, em média 98% das queixas recebidas partem de mulheres vitimas de violência domestica, então eu vou perguntar novamente, será que realmente estamos seguras em casa? O que fazer quando se vive com o agressor dentro do lar? O que fazer quando seu espaço de refugio é justamente o espaço em que você é violentada? Quantas mulheres nesse momento enquanto você lê essa postagem não estão sendo violentadas em seu lar? 

 

Uma vez lendo um livro tive uma percepção muito muito bacana, a autora falava que a casa da mulher é a expressão do seu útero, por isso que a gente se sente tão bem em casa, decora, ajeita, faz de tudo para que a casa fique cada vez mais "nossa cara", pois a casa realmente é uma manifestação nossa, do que está no nosso interior, ou no nosso útero enquanto mulheres. 

Chamo aqui de casa interna o útero, nossa força!


Agora como será a casa interna (útero) e externa (física) de uma mulher violentada?
Como estão as estruturas dessa casa, a sua forma, sua energia?

Casa que foi maltratada, destruída, violentada e rejeitada. 
Casa metáfora para o útero e consequentemente para a mulher. 

Casa que não é mais um abrigo e sim uma realidade violenta.

 

Eu trouxe algo muito subjetivo e de difícil compreensão para algumas pessoas, mas quando falei das estruturas dessa casa, eu falei sobre os aspectos psicológicos da mulher que é violentada em sua casa. 


Eu acredito que todas as violências são sustentadas pela violência psicológica, o que envolve: ameaças, humilhações, chantagem, cobrança de comportamento, critica pelo desempenho sexual, exploração, discriminação, isolamento de pessoas próximas, impedimento de usar o próprio dinheiro ou até mesmo de trabalhar.

Mulheres que sofrem violência sofrem também um ataque brutal na sua auto estima, deixando-as totalmente frágil psicologicamente, o que sustentaria ainda mais as violências e ameaças do agressor. Vale lembrar aqui que, a violência tem incio de uma forma bem lenta e silenciosa, mas que progride em intensidades e consequências para a vitima.
Com seus direitos básicos violados as mulheres apresentam múltiplas consequências, sendo as mais comuns: depressão, distúrbios alimentares, insônia e isolamento social. 

 

"O termo violência psicológica domestica foi cunhado no seio da literatura feminista como parte da luta das mulheres para tornar publica a violência cotidianamente sofrida por elas na vida familiar privada. O movimento politico-social que, pela primeira vez, chamou a atenção para o fenômeno da violência contra a mulher praticada por seu parceiro, iniciou-se em 1971, na Inglaterra, tendo sido seu marco fundamental da primeira "CASA ABRIGO" para mulheres espancadas, iniciativa essa que se espalhou por toda a Europa e Estados Unidos, alcançando o Brasil na década de 1980" ²

 

 

Apesar da justiça diferenciar os quatro tipos de 
violência ¹, elas se misturam de várias formas, muitas vezes uma forma de violência antecede a outra. A dependência psicológica com o agressor impede ou no minimo dificulta muito que a vitima possa identificar uma situação de violência, por isso é essencial o apoio. Pois com o apoio essa mulher pode inciar o seu processo de cura, entendendo primeiramente seus direitos humanos básicos, buscando de fato a justiça e caminhando lentamente para sair dessa situação de violência domestica. 

 

Portanto não seja aquela pessoa que pergunta o por que ela sofreu violência, seja aquela pessoa que oferece à mulher um abraço seguro e um sorriso sincero. 
Não seja aquela pessoa que olha essa mulher com dó, mas seja aquela pessoa que olha essa mulher de forma cuidadosa.
Não seja aquela pessoa que se omite, lembra que a dor de outra mulher é também a sua dor. 
Enquanto qualquer mulher for violentada, nenhuma de nós será livre, nenhuma. 
Apoie, acolha e ajude a curar uma mulher vítima de violência. 

Juntas somos mais fortes!

 

 

 

 

 

 

 

Referências:

¹ violência física, violência sexual, violência moral, violência patrimonial 

² Azevedo e Guerra (200, p.25) 

 

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