Da Lei 11.340 até aspectos selvagens de curar-se de uma violência.

August 10, 2017

Os números de violência contra a mulher no Brasil são muito altos, todas as violências, seja ela física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. Vivemos em um país machista, de cultura machista em uma realidade machista e patriarcal.

 

Hoje, você foi violentada? Pense no caminho da sua casa para o trabalho/faculdade/escola, etc..Pense naquele transporte publico enfrentado hoje..Pense nas situações corriqueiras de sua vida, nenhum tipo de violência? E você, como está? Anda se violentando ou sustentando uma violência? É manas a questão é bem mais profunda, eu também quero abordar nessa pauta uma questão muito importante, o seu consentimento perante a violência, alheia ou não. 

Mulheres são violentadas, mortas internamente, mortas fisicamente e mesmo assim nada de fato é feito, a educação continua a mesma, mulheres não acreditam na conexão com seu interior e sua força, o estado não garante direitos, discussões de genero não são feitas, mulheres feridas não recebem o devido acolhimento. 

Corpos femininos são desrespeitados, 

mulheres ficam em sangue. 

 

Faz onze anos da Lei 11.340  - Lei popularmente conhecida como Maria Da Penha, essa brasileira sofreu violências de seu marido, o professor universitário Marco Antonio Herredia Viveros,  em 1983 e somente conseguiu uma decisão de seu caso pois através de ONGs, Maria da Penha conseguiu enviar o caso para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), que, pela primeira vez, acatou uma denúncia de violência doméstica. Viveiro só foi preso em 2002, para cumprir apenas dois anos de prisão.¹

Levou mais de quinze anos para a justiça de nosso pais resolver o caso, o que mostra claramente como as mulheres vitimas de violência são tratadas pelo estado brasileiro. Hoje, em 2017 após onze anos dessa Lei  os números de violência contra a mulher ainda são altos, falta debate com a sociedade e são frequentes os relatos de delegacias da mulher fechadas durante a noite, falta de humanização no tratamento das vitimas, entre outras queixas comuns entre as mulheres que passaram por essa situação. 

 

 

 

Gostaria de mencionar um artigo em especial da Lei 11.340

Art. 7o  São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;

II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;

III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;

IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

 

Acho bem importante deixar esse trecho registrado, pois muitas mulheres nunca procuraram saber sobre a Lei 11.340, não tem conhecimento sobre as formas de violência... e  lembre-se que ela também é um direito seu, comum com todas as mulheres. Informação é super empoderador e nunca demais :)


Gostaria que você realizasse mais uma vez a leitura desse artigo, repense algumas situações da sua vida, a sua rotina..reflita! Pode doer um pouco, ou muito, ou nada, mas provavelmente você vai identificar algumas situações vividas com a descrição desse artigo. Você pode reconhecer alguma mulher próxima nessa situação, vivendo alguma forma de violência ou várias formas de violência. 

Como está o íntimo de uma mulher violentada? Violentada pelo outro e por ela mesma, como está o intimo dessa mulher? 

Todas nos sabemos ou no minimo temos noção do que seria esse sentimento, sejamos realistas. Quanto de apoio e acolhimento necessita uma mulher violentada e qual o trabalho de cura interno dessa? 

Clarissa Pinkola Estes em seu livro Mulheres que correm com os lobos conta duas histórias que se encaixam perfeitamente nessa questão, O Barba-azul e O uivo: A ressurreição da Mulher Selvagem .


O Barba-azul fala sobre aquele abusador que naturalmente é o predador natural da psique mas também daquela mulher ingênua, sem contato com seu lado selvagem, como presa fragilizada. A ressurreição da Mulher Selvagem fala acima de tudo sobre o recolher dos ossos, o aspecto dual de morte-vida, a coragem de recolher seus ossos. Tem um trecho dessa história que gosto muito, é a seguinte..


"Essa é a nossa técnica de meditação enquanto mulheres, a evocação de aspectos mortos e desagregados de nós mesmas, a evocação de aspectos mortos e desagregados da própria vida. Aquele que recria a partir do que esta morto  é sempre um arquétipo de duas faces. A Mãe Criadora é sempre também a Mãe Morte, e vice-versa. Em virtude dessa natureza dual, ou dessa duplicidade de função, a grande tarefa diante de nós consiste em aprender a compreender á nossa volta e dentro de nós exatamente o que deve viver e o que deve morrer. Nossa tarefa reside em captar a situação temporal de cada um: permitir a morte aquilo que deve morrer e a vida aquilo que deve viver."

 

Independente da violência sofrida, a mulher violentada merece ser acolhida. Por um estado, por uma sociedade, por um núcleo familiar, mas principalmente por si mesma.

É responsabilidade da mulher procurar formas de ajuda e cura, independente do tempo que leve internamente, é super importante buscar ajuda. Essencial é acreditar no poder feminino de vida-morte, vivenciado em nosso útero, todos os meses com a menstruação.

Se você passar a se perceber com atenção, vai observar seu ciclo menstrual, seu ciclo uterino e sua intuição, ou seja, o seu aspecto selvagem de curar-se.

 

Somente você e por você a cura interna será possível. 

Perdoe-se por toda a violência sofrida.

Olhe para si e perceba a transformação.

 

Ame-se.

Valorize suas atitudes positivas.

Procure uma rede de apoio.

 

 

 

 

 

Bibliografia:

Mapa Da Violência 2015 - Homicídio De Mulheres No Brasil ; Julio J. Waiselfisz

Lei 11.340 De 7 De Agosto De 2006

 

Referências

¹ 

 

 

 

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